Durante muitos anos observei como os móveis chegavam às casas polacas. E quanto mais observava, mais me incomodava uma ausência: o móvel chegava, mas a sua história não.

Caixa, plástico, talão. Não sabemos que mãos o fizeram, de que foi realmente produzido, que distância percorreu nem o que ficou pelo caminho. E, no entanto, os objetos com que vivemos olham para nós todos os dias — e deixam algo em nós.

Na primavera passada visitei oficinas em diferentes partes da Europa. Conversei com pessoas capazes de falar sobre uma única trama de tecido durante mais tempo do que algumas lojas falam sobre uma coleção inteira. Tecelões, marceneiros, pessoas que trabalham com a luz. Cada uma delas criava objetos com mão e com história — e quase nenhuma tinha um caminho simples até uma casa polaca.

A Design in Europe nasceu precisamente daí. Quero encurtar esse caminho: de uma oficina europeia para um interior onde se vive de verdade. Quero que a história chegue juntamente com o móvel — porque uma casa construída com objetos que conhecemos atua sobre nós de forma diferente de uma casa feita de objetos anónimos.

A pergunta de hoje: que objeto na sua casa tem uma história que consegue contar? E será, por acaso, aquele de que mais gosta?

Na próxima semana contarei o que está a nascer no fim do meu próprio caminho — no meu estúdio.

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